Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
O indivíduo no trabalho
Sempre penso em como é importante que a nossa capacidade de pensar, criar, planejar - não tão óbvia quanto outras características, mais "externas", possam parecer - seja valorizada pelas empresas como merece. Não consigo fazer trabalhos mecânicos, e isso me leva a me envolver muito em projetos: gosto de vê-los começando, se desenvolvendo, crescendo, e depois ver os frutos que rendeu. Cada projeto é único e tem seus objetivos, suas particularidades, sua equipe. Adoro trabalhar em equipe. Aprender a liderar com eficiência e bom senso, por sua vez, inclui saber identificar potencialidades e deficiências de cada um do "time", e aproveitar isso para que a equipe cresça junta cada vez mais. Às vezes, ao nosso lado, há um colega que sabe muito de algo que nunca imaginamos... por isso precisamos ficar atentos.
Sábado, 20 de Junho de 2009
Confusão: a exigência do diploma caiu; o diploma em si, não
Tenho observado uma estranha e impressionante mistura de conceitos no que diz respeito à derrubada da exigência do diploma para jornalistas. Blogs e sites aparentemente sérios, e pessoas em rodas de amigos, têm comentado coisas do tipo: “Se eu for fazer concurso que exija curso superior, não poderei mais marcar essa opção, terei que concorrer como se tivesse apenas o ensino médio, porque sou formado em jornalismo”..., ou “Ah, você é jornalista, então cuidado porque se for preso não vai para a prisão especial porque não tem mais diploma”... (à parte a decisão de extinguir a prisão especial para quem tem diploma de qualquer curso).
Alto lá! A decisão do STF derrubou a EXIGÊNCIA do diploma de jornalista para o exercício da profissão, mas pelo menos AINDA não derrubou a faculdade de jornalismo e não invalidou o diploma de ninguém. Se algo não é exigido, não quer dizer que não exista mais, certo? Parece óbvio, mas pela Web a gente encontra muitas manifestações de pessoas que claramente misturaram todos esses conceitos e fizeram uma sinistra salada mista!
Eu sou jornalista com diploma e porque a exigência caiu não quer dizer que meu título e minha formação evaporaram junto. Não houve nenhuma mágica que fez sumir o meu registro de jornalista no ministério do Trabalho da minha carteira de trabalho da noite para o dia ou me fazer voltar ao Ensino Médio! Aliás, meu diploma sumiu aqui dentro de casa há meses e não o encontrei ainda. Ao comentar isso com alguém, ouvi o seguinte: "Então tem que ver se você vai conseguir outro quando der entrada na segunda via"! Isso me lembra que se até agora o meu diploma que sumiu não me fez tanta falta, não posso dizer o mesmo da formação que tive na faculdade de jornalismo, pois que falta ela faria! O que me remete ao texto que escrevi neste outro post aqui...
OBS.: Sobre este assunto, não deixem de ler a Miriam Leitão no Globo de hoje! Ela esclarece tudo lá.
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Tudo por um diploma?
Formei-me em jornalismo na PUC do Rio de Janeiro há quatro anos. Do período da faculdade, o que mais me marcou foram as discussões intensas, os debates calorosos, os trabalhos em grupo em que se percebia múltiplos talentos e opiniões as mais diversas e que exigiam que a equipe chegasse a um consenso e fosse capaz de apresentar essas ideias a toda a turma. Marcaram-me muito também as aulas que nos ensinavam a nos colocar diante de uma plateia, treinavam a colocação de nossa voz e a nossa postura física, nos ajudando a perceber como é importante a maneira como falamos em público para que a mensagem que se pretende transmitir a ele consiga alcançá-lo com êxito.
Guardarei sempre na memória, sobretudo, aquelas aulas que nos faziam pensar nas consequências de uma cobertura jornalística. Na repercussão da notícia gerada pela apuração. Na faculdade, somos incentivados a pensar em nosso papel na sociedade. Todo o tempo, somos estimulados a pensar no que fazemos, a consultar fontes seguras e variadas antes de ter certeza sobre alguma informação, a checar tudo, a ter cuidado ao redigir um texto, a colocar a informação principal em cima das restantes - para que o leitor de pronto saiba do que se trata o texto - e principalmente a aguçar nosso senso crítico para desenvolver a nossa capacidade de analisar um fato e então descobrir qual é realmente a notícia ligada a ele. Aprendemos técnicas de texto e redigimos uma mesma matéria inúmeras vezes até que o trabalho seja considerado bom. Entrevistamos pessoas até que saibamos fazer isso sem cair no óbvio. Aumentamos a nossa autocrítica. Passamos a nos preocupar mais com o que escrevemos e falamos.
Como em qualquer outra faculdade, diante de todos os estímulos, o nosso desempenho e o nosso aproveitamento dependem muito mais de nós mesmos que de qualquer outro fator. Por isso, procuramos fazer estágios, ler muito, nos informar o tempo todo, frequentar cursos extras, seminários, eventos: tudo que todo estudante faz, quando se dedica de verdade. A decisão do STF que derrubou a exigência do diploma de jornalista para o exercício da profissão não derrubou a necessidade do preparo, do estudo, das reflexões sobre ética e sociedade, da dedicação às técnicas capazes de tornar o texto mais conciso, mais claro e mais objetivo. Perguntaram-me muitas vezes diante da notícia do diploma nos jornais: “você se arrepende da faculdade que fez? Podia ter ‘economizado tempo e dinheiro’, feito outra faculdade, enfim, sente que perdeu tempo?” De forma alguma. Por que me arrependeria? Não fiz a faculdade pelo diploma. Fiz porque queria fazer a faculdade de jornalismo.
Particularmente, nunca nem mesmo pensei em fazer outra faculdade que não fosse a de jornalismo. Consigo entender que existem muitas pessoas que exercem muito bem a profissão sem o diploma e outras que com ele embaixo do braço são um desastre. Dos que exercem sem o diploma, o destaque vai para os que já estão na área há tempo suficiente para, com experiência de vida e muita maturidade, de alguma forma compensar as possíveis deficiências da base que falta aos novatos e que a universidade ajuda a adquirir. Outros se tornaram jornalistas antes de a profissão ser regulamentada e contribuíram e muito para ela ser o que é hoje. Muitos nessa situação também defendem o diploma. Simplesmente entendem a necessidade de uma boa formação de quem se propõe a ser um jornalista.
Tenho orgulho da faculdade que fiz, que me instigou a estudar ainda mais e me levou a fazer uma pós-graduação na área de comunicação online. Continuo frequentando muitos cursos e seminários sempre que posso, lendo muito, sentindo saudade da faculdade (não só da farra e das chopadas, mas das aulas e dos papos nos corredores com professores e alunos que também tanto nos ensinam!) e penso em fazer mestrado. Incentivo todos que querem ser jornalistas, que hoje cursam a faculdade de jornalismo ou que pensam em cursá-la, a levar adiante essa ideia e estudar muito. Acredito até que as faculdades de jornalismo têm condições de melhorar muito também, agora que ao receber alunos novos ganharão estudantes realmente interessados no aprendizado, e não apenas no título.
E que as empresas tenham sempre muito bom senso ao contratar funcionários para funções jornalísticas e continuem valorizando o diploma não pelo diploma, mas simplesmente pelo significado de uma faculdade de jornalismo para a vida de alguém que quer ser jornalista. Para nós, jornalistas, fica mais uma vez a lição da persistência. Que todos que nos dedicamos a essa profissão sempre tão criticada e ainda longe de conquistar o valor merecido continuemos a fazer o nosso trabalho como sempre fizemos.
E viva a liberdade de imprensa!
Veja no post abaixo algumas opiniões sobre a derrubada da obrigatoriedade do diploma
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
O que você achou do fim da obrigatoriedade do diploma para jornalistas?
Arthur Dapieve, jornalista: "Como jornalista e como professor, acho uma boa faculdade de jornalismo muito importante para quem quer ser jornalista profissional. É nela que se aprendem as técnicas mais eficientes de comunicação, começa-se a se pensar na ética do trabalho, experimentam-se as diversas mídias etc. No entanto, sei que, infelizmente, nem todo mundo que possui um diploma de jornalista está apto a exercer a profissão, ainda mais dada a proliferação de instituições caça-níqueis. Era preciso, portanto, permitir que talentos na comunicação que tenham cursado bem outras faculdades pudessem exercer o jornalismo dentro da lei. Aliás, alguns dos melhores jornalistas em atividade que conheço não têm o diploma, porque se formaram antes da regulamentação imposta durante a ditadura militar..."
Patricia Travassos Costa, jornalista: "O fato é que os que defendem o fim do diploma se esquecem de que, para ser um jornalista, não basta apenas escrever bem e ser um bom profissional de qualquer área. Um bom jornalista é, antes de tudo, um fiscal da nação. É ele que assume o desagradável papel de vigilância, principalmente dos governos e, agindo no vácuo da ineficiência de nossa legislação e da nossa polícia, é ao jornalista que cabe o papel de denunciar as muitas e incalculáveis irregularidades, casos de corrupção, mazelas e desvios de conduta que nossos líderes, legisladores, chefes e oficiais costumam cometer. Aliás, parece ser justamente por conta desse papel que o Supremo derrubou a exigência do diploma, e colocou na mão dos patrões da mídia todo o poder de decisão sobre a forma como esses profissionais deverão atuar daqui para frente. Quais serão critérios serão na escolha de quem poderá trabalhar com mídia? Voltaremos ao tempo do QI (quem indica) ou do teste do sofá?"
Rafael Savastano, analista de sistemas: "Eu sou de Informática, que nunca teve obrigatoriedade de diploma exigida por lei, então acho que tanto faz. Minha profissão, como muitas outras, é invadida por engenheiros e no entanto tá aí firme e forte. E especificamente no caso do jornalismo, temos que pensar que, na era digital, os blogs estão crescendo em importância e neles nunca existiu obrigatoriedade de diploma. E outra, sem a obrigatoriedade, provavelmente vão desaparecer vários cursos caça-níqueis de Comunicação e possivelmente a qualidade média dos cursos e, consequentemente, do profissional diplomado vai aumentar. E o diploma não é obrigatório por lei mas o empregador que estiver atrás de um BOM profissional obviamente vai exigir diploma como sempre fez, mas por outro lado pode abrir vagas de nível técnico e parar de usar estagiários ou recém-formados para funções mais triviais."
Mario Cavalcanti, jornalista e editor do site Jornalistas da Web:
"Achei um pouco desrespeitoso, mas acho que não mudará muita coisa. Não acho que seja o fim do mundo. É o fim da obrigatoriedade, não o fim do diploma ou da profissão. Acredito mais em mudanças positivas, como uma melhora do ensino superior. E aquela pessoa realmente interessada em jornalismo vai querer entrar em uma faculdade de qualquer forma para somar."
Claudio Carneiro, jornalista: "Esta decisão do STF não surpreende e pouco afetará os profissionais de grande imprensa já devidamente instalados no mercado. Mas tem um ranço de vingança pessoal do ministro Gilmar Mendes contra os jornalistas. Surpreendente mesmo foi que o único voto contra a medida tenha partido – justamente – do mais retrógrado deles, o ministro Marco Aurélio Mello. A lamentar a ausência de Joaquim Barbosa mas sei, de fonte segura, que suas dores na coluna nem o deixam mais sentar ou pensar direito. Duro mesmo foi ouvir o ministro Gilmar comparar minha profissão à dos chefs de cozinha. Mesmo sabendo que eles ganham muito mais do que nós. Foi um golpe baixo. Em suas alegações, o ministro Cezar Peluso disse que o diploma não protege o profissional de errar. A decisão dos ministros do STF demonstra que isso é verdade. "
Rafael Kalil, músico: "Não sou jornalista, não tenho diploma, apenas segundo grau completo, sou compositor, cantor e instrumentista, porém por diversas ocasiões tive que trabalhar em áereas que fugiam um pouco de meus objetivos por causa de grana e numa delas parei numa redação de uma ONG no setor de comunicação aonde eu era chefe de uma redação de um site jornalisto da entidade. Na prática, eu ocupava um cargo que me exigia fazer uma redação funcionar, com correspondentes, jornalistas, editores, webmaster e fotografos.
Com exceção dos fotógrafos, todos eram diplomados menos eu, porém fui aprendendo na prática o funcionamento da estrutura e consegui dar sequência ao trabalho sem grandes problemas e sem deixar falhas, tanto é que nos três anos que ocupei este cargo eu nunca fui cobrado nem nunca me foi exigida graduação alguma, os resultados falavam por si. Por vezes, corrigi erros de portugues de jornalistas formados nestas esquinas da vida, pessoas com diploma porem com conteudo critico nenhum, nesta equipe havia uma que trabalhava melhor como secretária do que produzindo matérias, ela tinha acabado de se formar na Estácio e parecia uma estudante secundária, com erros primários, vocabulário limitado, falta total de conteúdo e visão crítica, enfim, um desastre.
Talvez o meu caso seja uma exceção, talvez seja mesmo, não estou aqui querendo ter a audácia de arfirmar que cursar falcudade de jornalismo não valha de nada, pelo contrário, e também hoje consigo viver exclusivamente na música e não estou me propondo a disputar espaço em área que não é de minha competência. Mas assim como eu, conheço profissionais super competentes na televisão e em jornais que não têm diploma, apenas sua experiência na área e seu conteúdo e inteligência, e muitas vezes dão um show de profissionalismo e competência."
Sábado, 13 de Junho de 2009
Artigo sobre a internet brasileira

Publiquei no Opinião & Notícia um artigo sobre a internet brasileira, que fiz com base no evento do Mundo do Marketing que assisti nos dias 4 e 5 de junho, e depois o Nós da Comunicação publicou também. Os links:
Opinião & Notícia
Nós da Comunicação
E o texto segue abaixo:
"A internet no Brasil é uma experiência coletiva". A afirmação é de Julien Turri, executivo-chefe da agência de marketing digital Hi-Mídia, localizada no Rio de Janeiro. Turri esteve no primeiro dia de palestras do seminário Marketing 360º, promovido pelo site Mundo do Marketing nesta quinta, 4, e sexta, 5 de junho.
No Brasil, a internet é utilizada basicamente para conversar, trocar ideias com amigos e familiares e conhecer pessoas. Entre todos os internautas do mundo, o brasileiro é o que passa mais tempo navegando em comunidades. Os sites que têm o recurso da troca de mensagens instantâneas consomem nada menos que 70% do tempo que os internautas do país passam conectados. Os seis maiores portais do Brasil, entre eles o da Globo e a UOL, respondem por 20% desse tempo. Outros 5% do tempo dos internautas são dedicados aos sites de buscas -- mas nesses o tempo curto é compreensível, já que são sites de passagem que funcionam como portas de entrada para outros endereços e não retêm usuários, o que inclusive levou o Google a desenvolver outros sites e recursos.
Esse comportamento reflete no mundo online a espontaneidade e a capacidade de comunicação dos brasileiros na vida offline, e pode ser mais um fator a estimular a propagação dos chamados “virais”, que fazem absoluto sucesso na web, sendo transmitidos de um usuário a outro num tempo recorde.
O poder dos usuários, por outro lado, cresce cada vez mais com o uso também ascendente das redes sociais. Cada vez mais eles trocam informações nessas comunidades, aumentando a necessidade de as empresas estarem atentas ao que eles falam e à maneira como se referem a elas. Muito se pode saber sobre a reputação de uma empresa e sobre como os internautas vêem sua marca por meio da análise do que é conversado nas redes sociais. O tempo, no entanto, depõe contra essa análise: é tudo instantâneo, e assim devem ser as respostas das companhias. Além disso, todo cuidado é pouco ao se fazer uso dos fóruns dessas comunidades com o objetivo de bem posicionar um produto ou serviço.
Nas redes sociais, clareza e honestidade: nada de máscaras
Julien Turri alerta que é fundamental que a empresa monitore as redes para não perder de vista o que está sendo comentado. Os internautas podem, por exemplo, estar neste momento conversando sobre uma falha em certo produto que encontraram antes mesmo de a empresa detectar. Diante de uma situação desse tipo, e sempre -- em se tratando de redes sociais, Turri defende que o melhor é que a empresa seja franca e honesta, colocando-se à disposição dos internautas para esclarecer dúvidas, ouvir sugestões e contribuir com o que eles precisarem para ter um melhor atendimento.
O especialista lembrou um caso em que uma empresa tentou utilizar as redes sociais a seu favor e o tiro saiu pela culatra, pois com tantos elogios deixados no campo de comentários de um blog sobre determinado produto os internautas chegaram a duvidar de que o autor das mensagens fosse realmente um usuário comum e não um membro da companhia em questão assinando com nomes e e-mails fictícios no intuito de defendê-la de acusações.
Twitter é o grande futuro das redes sociais
Na visão de Turri, o site de microblogging tem tudo para ser o site de relacionamentos do futuro porque é simples, fácil de ser utilizado e, como destaca também a jornalista Cristina Dissat, que estava presente no evento, não exige grandes recursos técnicos de seus usuários.
Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Jornalistas e as redes sociais
Premissas difíceis de ser seguidas na Web das redes sociais? Talvez.
Domingo, 10 de Maio de 2009
QR Codes, os novos códigos de barras

Matéria minha sobre QR Codes foi publicada hoje no Opinião & Notícia -- neste link. Reproduzo-a abaixo:
Ao olhar para a imagem ao lado, você pode achar que se trata de um emaranhado de caracteres, ou apenas de uma imagem com definição ruim. Na verdade, trata-se de uma espécie de código de barras bidimensional, capaz de ser lido por celulares, e intitulado QR Code – Quick Response Code.
Os QR Codes estão muito próximos dos conceitos de Web 2.0, convergênca digital e mobilidade, tão fortes nesta era digital em que vivemos. Ao visualizar um desses códigos de barras bidimensionais, seja num anúncio em uma metrópole, num cartão de apresentação ou até mesmo no cartaz do III Prêmio Opinião & Notícia, pode-se, de celular em punho, “ler” o que está escrito ali — geralmente o link de um site, textos, mensagens SMS, números de telefone.
Para fazer essa “leitura”, é necessário que o celular tenha, além de uma câmera que pode ser simples, um programa capaz de ler QR Codes instalado. Esses programas, chamados de leitores de código de barras, podem ser adquiridos gratuitamente junto às operadoras. Todas as quatro principais do Brasil já os oferecem. Há também algumas opções online, como o Kaywa Reader. Com esses recursos, basta apontar a câmera do celular para o código para decifrá-lo.
Esses códigos de barras evoluídos — com barras horizontais e verticais que os permitem agregar uma grande quantidade de informação, enquanto os códigos de barras tradicionais têm apenas barras verticais — são capazes de fazer uma conexão interessante entre o “real” e o virtual. Por isso, eles têm se mostrado uma grande promessa no mundo do marketing e da publicidade. Ao passar em frente a um outdoor com um QR Code, por exemplo, um consumidor que fica curioso e mira seu celular para ele pode ser levado ao link de um site e já acessá-lo com o mesmo celular que leu o código. É uma integração completa entre a mídia tradicional e a Web.
Mario Cavalcanti, pesquisador de mídias digitais e criador do site Jornalistas da Web, dá alguns exemplos de lugares onde o uso dos QR Codes já é mais comum, e explica como ele vem sendo utilizado. “Em países onde a cultura do QR Code está bem disseminada, como Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Alemanha, os códigos de barra são aplicados em embalagens de produtos, em mobiliários urbanos, em vitrines de lojas, em pontos turísticos, entre outros”. Além disso, ele afirma que é possível notar a presença desses códigos de barras modernos em produtos como embalagens de barras de chocolate — contendo informações nutricionais ou links para o download de algo relacionado à marca. “Os QR Codes são aplicados também em postes públicos, onde carregam informações sobre aquela área ou sobre o metrô mais próximo. As possibilidades são muitas. Aqui no Brasil, estão se tornando comuns em jornais e revistas”.
O futuro dos QR Codes
Os QR Codes podem não ser ainda tão conhecidos, mas alguns fatores podem contribuir para aumentar a sua visibilidade. “Acho que a popularização do QR Code vai se dar em conjunto com a massificação das funcionalidades secundárias dos celulares. Hoje em dia, todo mundo usa o celular para falar, muitos usam para tirar fotos e ouvir música, mas poucas pessoas o usam para acessar a Internet”, explica Mario Cavalcanti.
Cavalcanti complementa que a popularização desse recurso depende também do crescimento do número de ações por parte de empresas e pode vir a acontecer com a mesma frequência com que são utilizadas as mensagens do tipo SMS, em promoções na TV, rádio ou em embalagens de produtos. Com todas essas perspectivas, parece não haver dúvida de que os QR Codes se tornarão bem conhecidos de todos à medida que os hábitos relacionados à mobilidade digital evoluem. E você, já consegue decifrar o que está escrito no QR Code aí do lado?